O que você quer fazer?
Mapa e registros
Explore os registros no mapa, cadastre novas ocorrências (funciona até offline, em campo) e exporte em CSV, GeoJSON ou Darwin Core.
Monitoramento por satélite
Focos de calor (queimadas), imagens de satélite diárias dos últimos anos e alertas oficiais de desmatamento (GFW, PRODES, MapBiomas), sobre o mapa do parque.
Estatísticas
Totais por categoria, status e mês. Uma visão geral do catálogo, aberta a toda a equipe.
Equipe
Quem faz parte do projeto: nome, cargo, instituição e foto de cada pessoa.
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O parque
O Parque Estadual de Sete Salões é uma unidade de conservação de proteção integral no Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais. Protege um dos maiores remanescentes contínuos de Mata Atlântica da região, associado a campos rupestres e a florestas de candeia sobre serras de quartzito.
- Área
- 12.520,9 hectares
- Criação
- Decreto estadual nº 39.908, de 22 de setembro de 1998
- Municípios
- Conselheiro Pena, Itueta, Resplendor e Santa Rita do Itueto (MG)
- Bioma
- Mata Atlântica: Floresta Estacional Semidecidual, campos rupestres e candeias
- Gestão
- Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG)
- Águas
- Cerca de 180 nascentes e 26 córregos, todos da bacia do Rio Doce
Os sete salões e a serra
O nome vem da Caverna dos Sete Salões, sete grandes câmaras abertas na rocha. A caverna é atração conhecida desde os anos 1920 e abriga pinturas rupestres. Nas encostas há um patrimônio arqueológico reconhecido: o Conjunto Natural Paisagístico e Arqueológico Serra da Onça, com os sítios Lapa, Pedra do Letreiro e Lapa da Onça, tombado em 2002. Cânions, paredões e cachoeiras completam o relevo acidentado das serras.
Fauna e flora
Entre a fauna registrada estão a onça-parda (suçuarana), o jaguarundi, o gato-do-mato, o bugio e o urubu-rei. Na flora aparecem árvores como peroba, braúna, sapucaia, ipê-amarelo, quaresmeira e jacarandá, com abundância de cipós, bromélias e orquídeas, parte delas ameaçada de extinção.
O povo Krenak
As cavernas e o Watu (o Rio Doce) são elementos sagrados para o povo Krenak, cujo território ancestral se sobrepõe fortemente ao parque. A Terra Indígena Krenak de Sete Salões, ainda em processo de reconhecimento, cobre grande parte da mesma área. Essa sobreposição é um dos pontos do conflito fundiário da região.
O catálogo
O catálogo científico do parque serve para a equipe juntar, padronizar e preservar num só lugar tudo o que é observado em campo, da biodiversidade ao patrimônio geológico e arqueológico. Cada observação vira um registro estruturado e georreferenciado, que pode ser conferido depois, usado em pesquisa e na gestão da unidade, e compartilhado com bases científicas abertas.
O que é registrado
Cada ocorrência entra em uma de nove categorias, e cada categoria abre seus próprios campos técnicos:
- Fauna: animais, com classificação taxonômica, tipo de observação (visual, pegada, fezes…), comportamento e status IUCN.
- Flora: plantas, com hábito, fenologia, altura, DAP e substrato.
- Nascentes: regime hídrico, vazão, bacia e estado de conservação.
- Formações geológicas: tipo de formação, litologia, dimensões e feições notáveis.
- Pinturas rupestres: técnica, período estimado, dimensões e contexto.
- Artefatos arqueológicos: tipo, período, técnica e estado de conservação.
- Complexos paisagísticos: fitofisionomia, área estimada e impactos visíveis.
- Paleontologia: tipo de fóssil, era geológica, grupo taxonômico e preservação.
- Outro: o que não se encaixa nas anteriores, com campos livres.
O que cada registro guarda
Todo registro tem coordenada de GPS, data, autor, fotos e descrição, além dos campos específicos da categoria. Para fauna e flora, esses campos seguem o padrão Darwin Core, o vocabulário internacional de dados de biodiversidade, o que permite dialogar com acervos como o GBIF e o SiBBr. Antes do envio, as fotos passam por um reprocessamento no próprio navegador, que gera a miniatura para economizar dados em campo e, no mesmo passo, apaga os metadados EXIF da imagem original, inclusive a coordenada que a câmera embute e o modelo do aparelho.
Onde e quando, com a incerteza junto
Cada registro guarda, além do ponto, quanto ele pode errar em metros e de onde a coordenada veio: GPS do aparelho, clique no mapa ou digitação. A data também tem precisão declarada: dia exato, só o mês ou só o ano, em vez de forçar uma data que ninguém tem. Na hora de salvar, o formulário avisa quando o ponto cai fora da área monitorada e quando já existe outro registro da mesma categoria a menos de 50 metros, o que ajuda a evitar duplicata. Nenhum dos dois avisos impede o envio.
Identificação com apoio do GBIF
Ao identificar fauna ou flora, o campo de nome sugere táxons enquanto você digita. A busca casa pedaço de palavra e ignora acento, então «onca» ou «pint» já chegam em Panthera onca. As sugestões vêm de três lugares, nesta ordem: o que você usou recentemente, as espécies já registradas no parque e o catálogo mundial do GBIF. Os dois primeiros ficam guardados no aparelho, então continuam funcionando dentro da mata, sem sinal. Ao escolher uma sugestão, a hierarquia inteira é preenchida (gênero, família, ordem, classe, filo) e o registro guarda a chave estável daquele táxon no GBIF, que vira o identificador do nome na exportação em Darwin Core. Se o que você escolher não for uma espécie, vai para o campo certo: uma família é anotada em Família, e não no campo de espécie. E se depois você editar o nome à mão, a chave do GBIF é descartada, para o registro nunca apontar para um táxon diferente do que está escrito.
De onde vêm os nomes
Ao escolher uma sugestão, o nome científico vem do Backbone Taxonomy do GBIF, a espinha taxonômica que a rede monta reunindo listas de referência de várias instituições num conjunto único de nomes aceitos. Cada táxon ali tem um identificador numérico que não muda, e o registro guarda esse número junto com o nome. Na exportação em Darwin Core ele vira o campo taxonID, no formato de endereço do GBIF, para que outra pessoa chegue ao mesmo táxon mesmo que a grafia ou a posição na classificação mudem depois. Digitar o nome à mão continua valendo, só não traz esse identificador junto.
Com o nome vem a autoria, no formato da nomenclatura binomial: Panthera onca (Linnaeus, 1758). É o que os códigos internacionais de nomenclatura padronizam, o ICZN para animais e o ICN para plantas, algas e fungos, e é o que faz um mesmo nome significar a mesma coisa em qualquer país. Na exportação, o binômio sai no campo scientificName, a autoria em scientificNameAuthorship, o nível do táxon em taxonRank e a hierarquia acima dele nos campos que vão de reino a gênero.
Os nomes populares saem da mesma base, da lista de vernáculos que o GBIF associa a cada táxon, filtrada para os marcados como português. Aqui eles servem para achar a espécie e para preencher o campo de nome popular, que na exportação vira vernacularName. Para identificar não servem, porque o mesmo nome muda de bicho conforme a região: buscar «jequitibá» devolve espécies de três gêneros diferentes. A identificação que sai do catálogo é sempre a científica.
Moderação e qualidade
Os dados passam por um fluxo de curadoria em quatro estados: pendente, revisado, aprovado e rejeitado. Revisores e administradores avaliam cada registro na própria interface, e um registro aprovado pode ser revogado se a identificação ou os dados forem contestados. Há também uma trava automática. Quando alguém que não é administrador edita o conteúdo de um registro já revisado ou aprovado, ele volta sozinho para a fila de análise.
Exportação e padrões abertos
Os registros podem ser exportados em CSV (planilhas), GeoJSON (para SIG e mapas) e Darwin Core Archive (DwC-A), o formato aceito por repositórios de biodiversidade como o GBIF. Com isso os dados saem daqui em formato aberto e podem ser reaproveitados em pesquisas, relatórios e políticas de conservação.
Pensado para o campo
O cadastro funciona mesmo sem internet: as observações ficam salvas no aparelho e sincronizam sozinhas quando a conexão volta, com captura de coordenadas por GPS. É possível registrar uma trilha inteira offline, no meio da mata, e só depois enviar tudo.
Acesso e dados sensíveis
O acesso é restrito à equipe e a convidados: o cadastro exige um código de convite validado, com opção de entrar pela conta Google. A marcação de sensível é feita pelo próprio sistema, sem ninguém precisar acionar, e cobre os sítios arqueológicos, as pinturas rupestres e todo registro cuja avaliação de conservação caia numa categoria de risco da IUCN (VU, EN, CR, EW ou EX). Quem já tem acesso ao catálogo continua vendo a coordenada exata; o que a marcação faz é viajar junto na exportação, para quem receber o dado saber o que não convém publicar. Toda a base roda sobre Supabase (Postgres/PostGIS), com regras de segurança por linha (RLS) e auditoria de alterações.
Monitoramento por satélite
Além dos registros de campo, o catálogo acompanha o parque de cima. Dentro do mapa há um painel com focos de calor, alertas oficiais de desmatamento e imagens de satélite dos últimos cinco anos. Tudo vem de programas públicos e gratuitos, coletado por rotinas que rodam sozinhas em horário fixo. O sistema não detecta nada por conta própria: busca o dado na fonte, recorta na área do parque e mostra como veio. A leitura do que aquilo significa continua sendo humana.
- Área monitorada
- Parque mais zona de amortecimento, cerca de 27 por 25 km, a partir do limite oficial do IEF-MG (IDE-Sisema)
- Focos de calor
- NASA FIRMS: VIIRS (375 m) e MODIS (1 km), coleta diária às 9h UTC (6h em Brasília), janela de 2 dias
- Desmatamento oficial
- Global Forest Watch, PRODES Mata Atlântica e MapBiomas Alerta, coleta às segundas e quintas, 7h UTC (4h em Brasília)
- Imagens
- Sentinel-2 e Sentinel-1 pelo Microsoft Planetary Computer, geração toda segunda, 5h UTC (2h em Brasília)
- Arquivo de imagens
- Janela deslizante de 5 anos, cerca de 10 metros por pixel; o que passa disso é apagado
- Onde roda
- Rotinas em Python agendadas no GitHub Actions; pontos e polígonos no Postgres/PostGIS, imagens no Cloudflare R2, tudo em plano gratuito
De onde vêm as bolinhas vermelhas do mapa?
São focos de calor da NASA FIRMS, o serviço que distribui em quase tempo real as detecções de anomalia térmica feitas por satélite. Todo dia uma rotina consulta os sensores VIIRS dos satélites Suomi-NPP e NOAA-20, que enxergam um quadrado de 375 metros, e o MODIS, com 1 quilômetro. Ela descarta os pontos fora da área monitorada e guarda o resto sem repetir o que já estava lá. No mapa, cada foco é um círculo colorido pela confiança que o próprio satélite atribuiu: vermelho para alta, laranja para nominal, laranja-claro para baixa. O popup mostra data e hora em UTC, satélite, confiança e a potência radiativa do fogo (FRP) em megawatts, que é uma medida da intensidade do calor detectado.
O que um foco de calor não prova
O satélite detecta temperatura, não chama. O que entra no mapa é um ponto mais quente que a vizinhança, uma anomalia térmica, ou seja, uma provável queimada. Telhado metálico ao sol, forno, indústria e queima agrícola vizinha podem virar foco. Já fogo pequeno, fogo rasteiro sob dossel fechado ou fogo que começa e termina entre duas passagens pode nunca aparecer. O ponto também não diz o tamanho do incêndio: representa um pixel de 375 metros ou de 1 quilômetro, e não a área queimada. Um conjunto de focos indica intensidade e persistência do calor, mas não a extensão. Cada foco é um aviso para ir verificar em campo, nunca um laudo.
O que são GFW, PRODES e MapBiomas?
São as três fontes oficiais de alerta de desmatamento que o painel traz para o mapa, na camada “Desmatamento oficial”. Elas não são versões rivais do mesmo número: cada uma equilibra rapidez e certeza de um jeito diferente. Só entram os alertas cujo ponto cai dentro da área monitorada ou cujo polígono a toca.
- GFW (Global Forest Watch): alertas integrados do WRI, que combinam o GLAD-S2 (imagens ópticas do Sentinel-2) e o RADD (radar do Sentinel-1) em pontos de cerca de 10 metros, quase diários. É o mais rápido a avisar e, por isso mesmo, o mais sujeito a revisão depois. Aparece em rosa.
- PRODES Mata Atlântica: polígonos anuais de corte raso do INPE, conferidos por intérpretes humanos e publicados no TerraBrasilis. Demora mais para sair e funciona como referência oficial consolidada. Aparece em azul-petróleo.
- MapBiomas Alerta: polígonos de desmatamento já validados, cada um com área em hectares e situação da análise. Aparece em roxo.
Falta um nome conhecido nessa lista. O DETER, do INPE, ficou de fora de propósito, porque não cobre o bioma Mata Atlântica. Outro cuidado: as contagens das três fontes não se somam, já que cada uma conta uma coisa diferente.
O que dá para ver nas imagens
As séries ficam todas na mesma grade fixa, com cerca de 10 metros por pixel, e é por isso que as datas encaixam umas sobre as outras. A cor real do Sentinel-2 mostra o parque como o olho o veria de cima. O NDVI, calculado a partir da luz vermelha e do infravermelho próximo, é um índice de vigor da vegetação: vai do vermelho (solo exposto, vegetação rala) ao verde (vegetação densa), em escala fixa de -1 a +1, uma imagem por semana. O radar do Sentinel-1, em tons de cinza, também é semanal e atravessa nuvem, e é a única das três séries que ainda enxerga o parque no auge da estação chuvosa. Na linha do tempo dá para arrastar entre as datas ou andar um passo por vez com as setas. Em “Comparar por data”, você arrasta um retângulo e vê o mesmo pedaço de terreno em até quarenta datas da série em cor real: as trinta mais recentes e dez do histórico, preferindo a menos nublada de cada período.
O que as imagens não dizem
A série em cor real se chama “imagem diária” no painel, mas não é uma por dia. Entram as passagens do Sentinel-2 que cobriram praticamente toda a área monitorada; as parciais, de borda de órbita, são puladas. Buraco na linha do tempo significa que não houve cena adequada naquele período, não que o terreno tenha parado. Nuvem não descarta a data, então algumas aparecem quase brancas, e é para isso que existe o radar. O contraste da cor real e do radar é ajustado dentro de cada data para a imagem ficar legível, então tom mais claro ou mais escuro entre duas datas não é diferença mensurável. Só o NDVI tem escala fixa e comparável ao longo do tempo. Mesmo no NDVI vale olhar a estação: boa parte da floresta aqui é estacional semidecidual e perde folha na seca, então um verde mais fraco no fim do inverno costuma ser sazonalidade, e não perda de floresta. Para comparar anos, use a mesma época em cada um.
Por que não temos um detector próprio
O projeto chegou a ter um detector caseiro de mudança na vegetação, que comparava o NDVI entre datas e usava um índice de área queimada. Ele foi removido porque gerava falso positivo demais: nuvem, sombra e a própria seca sazonal da Mata Atlântica apareciam como queimada onde o sensor térmico não via nada. Um alarme que erra muito é pior do que nenhum, porque consome o tempo de quem vai a campo e desgasta a confiança no sistema inteiro. Hoje o catálogo mostra só dado de fonte oficial e imagem crua.