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Sobre e metodologia

Parque · catálogo · método

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Referência de campo

O território, o acervo e o modo de trabalhar

Esta página reúne o contexto do parque, os critérios do catálogo, o método de monitoramento e os créditos dos dados e da plataforma. Ela também fica disponível quando o aparelho está sem sinal, desde que o app já tenha sido aberto.

Fluxo recomendado

O catálogo foi feito para continuar funcionando no campo e sem sinal. Ainda assim, o fluxo preferencial não é apressar todo o trabalho na trilha: prepare o aparelho e o pacote local do parque antes de sair; registre o essencial quando necessário; depois, em local estável e com internet, complete, revise e sincronize com calma.

  1. Preparar

    Antes de sair, abra o app com internet, confirme a sessão, prepare o pacote local fixo do parque e deixe a fila de envio vazia.

  2. Registrar

    No campo, use o formulário completo quando houver tempo e condições. O dado fica no aparelho se o sinal cair.

  3. Completar e revisar

    De volta a um local estável, confira coordenada e incerteza, data, identificação, categoria, notas e evidências, como fotos e áudios, antes de considerar o registro pronto.

  4. Sincronizar

    Com conexão estável, envie a fila e confirme que nada ficou pendente. A revisão posterior continua fazendo parte da qualidade do acervo.

O parque

O Parque Estadual de Sete Salões é uma unidade de conservação de proteção integral no Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais. Protege um dos maiores remanescentes contínuos de Mata Atlântica da região, associado a campos rupestres e a florestas de candeia sobre serras de quartzito.

Área
12.520,9 hectares (área do Decreto 39.908/1998); 13.922,1 hectares no polígono oficial do IEF-MG Decreto 39.908/1998 · polígono IEF-MG (IDE-Sisema, 2026)
Criação
Decreto estadual nº 39.908, de 22 de setembro de 1998 Decreto estadual 39.908/1998
Municípios
Conselheiro Pena (38,6%), Resplendor (33,5%), Santa Rita do Itueto (25,5%) e Itueta (2,4%), em Minas Gerais Plano de Manejo (IEF, 2022)
Bioma
Mata Atlântica: Floresta Estacional Semidecidual, campos rupestres e candeias Plano de Manejo (IEF, 2022)
Gestão
Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG) IEF-MG
Águas
Cerca de 180 nascentes e 26 córregos, todos da bacia do Rio Doce Plano de Manejo (IEF, 2022)
Situação fundiária
0,2% da área com regularização fundiária concluída; até 2019, 113 imóveis cadastrados e 1 regularizado Plano de Manejo (IEF, 2022) · situação de 2019

Os sete salões e a serra

O nome vem da Caverna dos Sete Salões, sete grandes câmaras abertas na rocha. A caverna se desenvolve em quartzito da Formação João Pinto, tem padrão labiríntico com cerca de quatrocentos metros de desenvolvimento e quinze metros de desnível, e recebe visitação desde os anos 1920. Nas encostas há um patrimônio arqueológico reconhecido: o Conjunto Natural Paisagístico e Arqueológico Serra da Onça reúne seis sítios de pintura rupestre, chamados Pedra Pintura, Boiadeiro, Pedra do Letreiro, Lapa, Onça e Zé Barbeiro. Três deles — Lapa, Pedra do Letreiro e Onça — foram tombados em 2002 por decreto da prefeitura de Conselheiro Pena (Decreto Municipal nº 1.329, de 10 de abril de 2002). Cânions, paredões e cachoeiras completam o relevo acidentado, com mirantes como o Pico do Garrafão, a cerca de 1.145 metros, e o Alto do Mandengo, a cerca de 808 metros.

Fauna e flora

Entre a fauna registrada estão a onça-parda (suçuarana), o jaguarundi, o gato-do-mato, o bugio e o urubu-rei. Na flora aparecem árvores como peroba, braúna, sapucaia, ipê-amarelo, quaresmeira e jacarandá, com abundância de cipós, bromélias e orquídeas, parte delas ameaçada de extinção.

Leitura geral, não usada como fonte primária: verbetes do ISA (Unidades de Conservação) e da Wikipédia. Os números desta seção vêm do Plano de Manejo (IEF, 2022), do decreto de criação e do limite oficial publicado pelo IEF-MG na IDE-Sisema.

Monitoramento por satélite

Além dos registros de campo, o catálogo acompanha o parque de cima. Dentro do mapa há um painel com focos de calor, alertas oficiais de desmatamento e imagens de satélite dos últimos cinco anos. Tudo vem de programas públicos e gratuitos, coletado por rotinas que rodam sozinhas em horário fixo. O sistema não detecta nada por conta própria: busca o dado na fonte, recorta na área do parque e mostra como veio. A leitura do que aquilo significa continua sendo humana.

Área monitorada
Parque mais zona de amortecimento, cerca de 27 por 25 km, a partir do limite oficial do IEF-MG (IDE-Sisema)
Focos de calor
NASA FIRMS: VIIRS (375 m) e MODIS (1 km), coleta diária às 9h UTC (6h em Brasília), janela de 2 dias
Desmatamento oficial
Global Forest Watch, PRODES Mata Atlântica e MapBiomas Alerta, coleta às segundas e quintas, 7h UTC (4h em Brasília)
Imagens
Sentinel-2 e Sentinel-1 pelo Microsoft Planetary Computer, geração toda segunda, 5h UTC (2h em Brasília)
Arquivo de imagens
Janela deslizante de 5 anos, cerca de 10 metros por pixel; o que passa disso é apagado
Onde roda
Rotinas em Python agendadas no GitHub Actions; pontos e polígonos no Postgres/PostGIS, imagens no Cloudflare R2, tudo em plano gratuito

De onde vêm os pontos vermelhos do mapa?

São focos de calor da NASA FIRMS, o serviço que distribui em quase tempo real as detecções de anomalia térmica feitas por satélite. Todo dia uma rotina consulta os sensores VIIRS dos satélites Suomi-NPP e NOAA-20, que enxergam um quadrado de 375 metros, e o MODIS, com 1 quilômetro. Ela descarta os pontos fora da área monitorada e guarda o resto sem repetir o que já estava lá. No mapa, cada foco é um círculo colorido pela confiança que o próprio satélite atribuiu: vermelho para alta, laranja para nominal, laranja-claro para baixa. O popup mostra data e hora em UTC, satélite, confiança e a potência radiativa do fogo (FRP) em megawatts, que é uma medida da intensidade do calor detectado.

O que um foco de calor não prova

O satélite detecta temperatura, não chama. O que entra no mapa é um ponto mais quente que a vizinhança, uma anomalia térmica, ou seja, uma provável queimada. Telhado metálico ao sol, forno, indústria e queima agrícola vizinha podem virar foco. Já fogo pequeno, fogo rasteiro sob dossel fechado ou fogo que começa e termina entre duas passagens pode nunca aparecer. O ponto também não diz o tamanho do incêndio: representa um pixel de 375 metros ou de 1 quilômetro, e não a área queimada. Um conjunto de focos indica intensidade e persistência do calor, mas não a extensão. Cada foco é um aviso para ir verificar em campo, nunca um laudo.

O que são GFW, PRODES e MapBiomas?

São as três fontes oficiais de alerta de desmatamento que o painel traz para o mapa, na camada “Desmatamento oficial”. Elas não são versões rivais do mesmo número: cada uma equilibra rapidez e certeza de um jeito diferente. Só entram os alertas cujo ponto cai dentro da área monitorada ou cujo polígono a toca.

Falta um nome conhecido nessa lista. O DETER, do INPE, ficou de fora de propósito, porque não cobre o bioma Mata Atlântica. Outro cuidado: as contagens das três fontes não se somam, já que cada uma conta uma coisa diferente.

O que dá para ver nas imagens

As séries ficam todas na mesma grade fixa, com cerca de 10 metros por pixel, e é por isso que as datas encaixam umas sobre as outras. A cor real do Sentinel-2 mostra o parque como o olho o veria de cima. O NDVI, calculado a partir da luz vermelha e do infravermelho próximo, é um índice de vigor da vegetação: vai do vermelho (solo exposto, vegetação rala) ao verde (vegetação densa), em escala fixa de -1 a +1, uma imagem por semana. O radar do Sentinel-1, em tons de cinza, também é semanal e atravessa nuvem, e é a única das três séries que ainda enxerga o parque no auge da estação chuvosa. Na linha do tempo dá para arrastar entre as datas ou andar um passo por vez com as setas. Em “Comparar por data”, você arrasta um retângulo e vê o mesmo pedaço de terreno em até quarenta datas da série em cor real: as trinta mais recentes e dez do histórico, preferindo a menos nublada de cada período.

O que as imagens não dizem

A série em cor real se chama “imagem diária” no painel, mas não é uma por dia. Entram as passagens do Sentinel-2 que cobriram praticamente toda a área monitorada; as parciais, de borda de órbita, são puladas. Buraco na linha do tempo significa que não houve cena adequada naquele período, não que o terreno tenha parado. Nuvem não descarta a data, então algumas aparecem quase brancas, e é para isso que existe o radar. O contraste da cor real e do radar é ajustado dentro de cada data para a imagem ficar legível, então tom mais claro ou mais escuro entre duas datas não é diferença mensurável. Só o NDVI tem escala fixa e comparável ao longo do tempo. Mesmo no NDVI vale olhar a estação: boa parte da floresta aqui é estacional semidecidual e perde folha na seca, então um verde mais fraco no fim do inverno costuma ser sazonalidade, e não perda de floresta. Para comparar anos, use a mesma época em cada um.

Por que não temos um detector próprio?

O projeto chegou a ter um detector próprio de mudança na vegetação, que comparava o NDVI entre datas e usava um índice de área queimada. Ele foi removido porque gerava falso positivo demais: nuvem, sombra e a própria seca sazonal da Mata Atlântica apareciam como queimada onde o sensor térmico não via nada. Um alarme que erra muito é pior do que nenhum, porque consome o tempo de quem vai a campo e desgasta a confiança no sistema inteiro. Hoje o catálogo mostra só dado de fonte oficial e imagem crua.

Créditos, licença e como citar

Três coisas distintas, para não haver dúvida sobre nenhuma. Os DADOS — registros, coordenadas, fotografias e gravações de áudio — integram o acervo do Parque Estadual de Sete Salões, sob custódia do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG), e quem desenvolveu o sistema não reivindica nada sobre eles. A AUTORIA de cada ocorrência é de quem a observou, seja integrante da equipe ou colaborador autorizado, e cada registro guarda esse nome. A PLATAFORMA que organiza tudo isso foi desenvolvida por Luiz Felipe Brum Boy, e é software, não dado. Os arquivos exportados saem licenciados em Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite reúso desde que a fonte seja citada.

Catálogo Científico do Parque Estadual de Sete Salões [conjunto de dados de ocorrências]. Dados do Parque Estadual de Sete Salões (IEF-MG). Plataforma desenvolvida por Luiz Felipe Brum Boy. Licenciado sob CC BY 4.0. Disponível em: catalogopess.com.br

A citação acima é a mesma que acompanha cada exportação. Registros marcados como sensíveis saem com a coordenada generalizada: quem precisar da localização exata deve solicitá-la aos responsáveis pelo catálogo.

Mapa local de contingência

O pacote de campo inclui um mosaico topográfico fixo do parque e da zona de amortecimento. Ele ajuda na orientação geral quando não há sinal, mas não substitui navegação, carta oficial, imagem atualizada nem as camadas online; sua cobertura não acompanha o enquadramento da tela.

Aviso de privacidade Desenvolvido por Luiz Felipe Brum Boy